Ludmilla integra grupo de maior peso no empreendedorismo brasileiro. Apesar das dificuldades características que os negros enfrentam, cresce o número de afroempreendedores no Brasil. O Sebrae …

Cantora abriu um salão de beleza no Rio de Janeiro e já planeja segunda unidade

Apesar das dificuldades características que os negros enfrentam, cresce o número de afroempreendedores no Brasil. O Sebrae indica que, entre 2002 e 2013, a fatia deste perfil subiu de 44% para 50%, maioria no País.

Foi com hits como o do título, Fala mal de mim e outros que a cantora Ludmilla, 22 anos, ganhou espaço na indústria fonográfica brasileira. Em 2012, quando tudo começou, ela ainda era a MC Beyoncé, nome artístico que provava sua admiração pela estrela internacional Beyoncé Knowles. Hoje, é a menina de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, quem inspira outras a "chegarem para bagunçar a zorra toda", como diz uma de suas letras.
No último ano, seu nome também passou a ser relacionado ao empreendedorismo. Isto porque a família abriu, em dezembro, o salão de beleza Lud Hair Boutique, em sua cidade natal. Quem administra é a mãe da artista, Silvana Silva.
Se hoje tudo está indo bem, nem sempre foi assim. Ludmilla já foi alvo de racismo, com repercussão midiática mais de uma vez. No ano passado, ela recebeu comentários preconceituosos em suas fotos nas redes sociais e teve de ouvir piadas feitas por um jornalista em um programa de televisão, após aparecer com o cabelo black power no Carnaval de 2016. No início deste ano, a situação se repetiu: outro jornalista a chamou de "macaca".
Essas ofensas não são disparadas somente contra Ludmilla, mas chamam atenção, especialmente, por ser uma figura pública. Situações como esta acontecem todos os dias com pessoas negras. A denúncia é silenciada antes mesmo de a vítima pensar em se manifestar.
Embora tenha enfrentado isso, Ludmilla não interrompeu seus planos. A funkeira "chegou quebrando tudo", como canta em seu último sucesso, Cheguei.
A ideia de empreender com o salão era um sonho antigo de Silvana. Juntas, mãe e filha investiram em uma coleção de laces (tipo de perucas) trazida dos Estados Unidos. "Tem dado tão certo que estamos abrindo uma segunda unidade, na Ilha do Governador", comenta Ludmilla, exclusivamente para o GeraçãoE.
Mesmo com os negócios fora do palco ganhando dimensão maior, Ludmilla garante que a música ainda é onde mantém maior foco. "Empreendedorismo requer dedicação, então minha mãe acaba cuidando de tudo", afirma.
O número de mulheres negras que deixa um trabalho formal para passar a empreender vem aumentando nos últimos anos. Frente a isso, a cantora acredita que "as mulheres estão garantido seu espaço, pois conquistaram esse direito".
E ela tem razão. Segundo uma pesquisa feita pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), entre 2002 e 2013, o número de empreendedores negros no Brasil subiu de 44% para 50%, fazendo com que esta população se tornasse a maioria dentro do mundo dos negócios. Brancos representam 49%, e outros grupos populacionais, 1%.
O empreendedor negro, no entanto, ainda encontra desafios mantidos pelas desigualdades raciais do País. Ludmilla, no entanto, se mostra otimista. "Estamos assumindo posições importantes no mercado de trabalho e no universo do empreendedorismo. Acho isso maravilhoso", comemora.
E, assim como os números mostram, ela tem a percepção de que há cada vez mais pessoas negras bem-sucedidas. "O sucesso não tem nenhuma relação com a cor da pele", sentencia. De qualquer forma, exemplos como o da funkeira evidenciam o protagonismo negro e trazem à tona o cenário de disparidades que ainda existe na sociedade brasileira.
 
Fonte: jcrs.uol.com.br

Receba atualizações

diretamente no seu e-mail